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TECNOLOGIA 13/03/2026 14:00:10

O que realmente muda com a Inteligência Artificial no mercado de trabalho?


Docente aponta transformação de funções, novas competências e maior protagonismo na gestão de carreira

 

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante para se tornar parte da rotina de empresas e profissionais. Ferramentas baseadas em IA já estão presentes em atividades administrativas, no atendimento ao cliente, na análise de dados e na criação de conteúdo. Mas, afinal, o que realmente muda no mercado de trabalho com essa transformação?

De acordo com a docente do curso Técnico em Informática da Escola Técnica Fundatec, Juliana do Nascimento Dutra, o impacto mais visível está na reorganização das tarefas. "A IA automatiza atividades operacionais e repetitivas, permitindo que os profissionais se dediquem a ações mais estratégicas, analíticas e criativas. Muitos cargos não estão sendo eliminados, mas sim redesenhados", explica.

Na prática, isso significa uma integração cada vez maior entre tecnologia e tomada de decisão humana. Processos internos passam por revisão e as empresas precisam adaptar sua cultura organizacional para que a inovação contribua para ganhos de produtividade e qualidade, e não para a exclusão de profissionais.

Para Juliana, a ideia de que a Inteligência Artificial irá substituir trabalhadores de forma massiva precisa ser analisada com cautela. Ela cita dados do relatório Future of Jobs 2025, segundo os quais, até 2030, cerca de 22% dos empregos serão impactados pela automação e pela IA. A projeção indica a criação de 170 milhões de novas vagas e a extinção de 92 milhões, resultando em um saldo positivo de aproximadamente 78 milhões de postos reinventados ou criados. "Estamos diante de uma reconfiguração do mercado de trabalho, não de um apagamento de profissionais", avalia.

Conforme a docente, funções com atividades altamente padronizadas, como assistentes administrativos, operadores de entrada de dados e parte das rotinas de call center, tendem a sentir os efeitos com maior intensidade. Em contrapartida, ela observa crescimento em ocupações que combinam tecnologia e habilidades humanas, como análise de dados, gestão de projetos, transformação digital, experiência do usuário, comunicação estratégica e ética aplicada à Inteligência Artificial.


Competências técnicas e comportamentais

Diante desse cenário, o letramento digital passa a ser essencial. "Não é necessário que todos se tornem programadores, mas é fundamental compreender como essas ferramentas funcionam, reconhecer seus limites e saber utilizá-las de maneira ética e produtiva", ressalta Juliana.

Além das habilidades técnicas, competências comportamentais ganham ainda mais relevância. Pensamento crítico, adaptabilidade, aprendizagem contínua, comunicação clara, colaboração e empatia são apontadas como vantagens competitivas em um ambiente marcado por mudanças rápidas.


Protagonismo e gestão de carreira

A professora também chama atenção para um ponto que considera cada vez mais relevante: a autonomia na gestão da própria trajetória profissional. Segundo ela, em um mercado mais dinâmico e menos previsível, os profissionais não devem depender ou esperar apenas por oportunidades internas, mas sim passar a assumir papel mais ativo na construção de seu caminho.

"Precisamos, cada vez mais, nos empoderar da nossa carreira e ter clareza sobre o que precisamos desenvolver para nos mantermos relevantes, atrativos e conectados às mudanças do mercado de trabalho", ressalta.

Nesse sentido, ela aponta ainda o fortalecimento do personal branding como competência estratégica. "Saber comunicar quem se é, no que é bom e qual valor entrega passa a ser um diferencial competitivo. Em um ambiente em que a tecnologia tende a padronizar processos, aquilo que torna cada profissional único ganha ainda mais peso", afirma.

Para as empresas, Juliana defende investimento em capacitação contínua, testes graduais de soluções baseadas em IA e uma gestão de mudanças estruturada, com comunicação clara e constante para reduzir inseguranças e estimular a colaboração entre pessoas e tecnologia.

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