Dia Internacional da Mulher reforça debate sobre avanços
Hoje, a presença feminina no mercado de trabalho é mais qualificada e influente do que há algumas décadas. Mulheres ocupam mais espaços de liderança, ampliam o acesso à educação e participam de decisões estratégicas em diferentes áreas. Ainda assim, desigualdades estruturais seguem marcando a trajetória profissional feminina, tema que ganha destaque no Dia Internacional da Mulher.
Para Josiane Salgado, gerente da Fundatec, um dos principais marcos recentes é o fortalecimento do acesso à formação profissional. "Tenho percebido avanços muito significativos, especialmente no acesso das mulheres à educação, à qualificação e a espaços de decisão. Hoje vemos mais mulheres liderando equipes, projetos e instituições, inclusive em áreas estratégicas", afirma. Segundo ela, o amadurecimento do debate sobre equidade e diversidade também tem contribuído para transformações na cultura organizacional.
Apesar do cenário mais promissor, a trajetória profissional feminina ainda enfrenta barreiras. Entre os principais desafios estão: a desigualdade salarial, a sub-representação em cargos de alta gestão e a sobrecarga associada a jornadas duplas, triplas, etc. Em áreas como educação, avaliação e gestão de processos públicos, campo em que ela atua, as responsabilidades e os prazos rigorosos exigem preparo técnico constante e organização.
A conciliação entre carreira, vida pessoal e responsabilidades familiares segue como um dos maiores desafios. Embora muitas mulheres administrem múltiplas demandas simultaneamente, o equilíbrio ainda depende de maior corresponsabilidade social e de redes de apoio mais efetivas, tanto no âmbito público quanto privado.
No campo da liderança, a presença feminina vem crescendo, mas ainda não reflete o potencial existente. "A presença aumentou, mas ainda não é proporcional ao talento disponível. Precisamos reduzir barreiras invisíveis, como vieses inconscientes, e ampliar oportunidades reais de desenvolvimento e ascensão", destaca. Para avançar na equidade de gênero, ela aponta como fundamentais políticas de igualdade de oportunidades, programas de desenvolvimento de lideranças femininas, ambientes seguros e livres de assédio e iniciativas de apoio à maternidade e à parentalidade.
Às meninas e jovens mulheres que ingressam agora no mercado de trabalho, Josiane orienta que invistam em conhecimento, ocupem espaços e busquem ambientes que valorizem ética, respeito e crescimento. A construção de trajetórias próprias, com propósito e autenticidade é, segundo ela, parte essencial desse processo.