Golpes online fazem mais vítimas e especialista reforça medidas de prevenç&atil
Com o aumento das transações online e da presença digital no dia a dia, os golpes virtuais se tornaram uma preocupação cada vez mais frequente no Brasil. Links falsos, clonagem de WhatsApp, falsas centrais bancárias e mensagens fraudulentas estão entre as práticas mais comuns utilizadas por criminosos para roubar dados e dinheiro das vítimas. Tentativas de golpes digitais seguem em crescimento no país, especialmente por meio de engenharia social, técnica de manipulação psicológica usada para induzir pessoas a compartilharem informações sigilosas.
E esse avanço dos golpes virtuais no Brasil tem preocupado especialistas e instituições financeiras. Dados da Federação Brasileira de Bancos - Febraban mostram que apenas o golpe da falsa venda registrou 174 mil ocorrências no primeiro semestre de 2025, crescimento de 314% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já os golpes envolvendo clonagem de WhatsApp somaram cerca de 153 mil reclamações em 2024.
Segundo Vivian Pedó, coordenadora do curso Técnico em Informática da Escola Técnica Fundatec, os criminosos têm utilizado recursos cada vez mais sofisticados, impulsionados inclusive pelo avanço da inteligência artificial. "Depois da ascensão das inteligências artificiais, facilitaram os meios e os acessos às pessoas pelos chamados golpistas. Entre os principais golpes estão falso suporte bancário, phishing, clonagem de WhatsApp, fraudes em compras online e golpes por SMS ou aplicativos falsos", explica.
Na prática, os golpes costumam ocorrer por meio de mensagens que simulam comunicações oficiais de bancos, lojas, operadoras ou órgãos públicos. Os criminosos utilizam logotipos, linguagem formal e tom de urgência para convencer a vítima a clicar em links, baixar arquivos ou informar códigos de verificação. Também são frequentes os casos de perfis falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens, inclusive utilizando fotos e dados reais obtidos na internet.
Mesmo com campanhas de conscientização, esse tipo de crime continua fazendo vítimas. Para Vivian, isso acontece porque os golpistas exploram justamente momentos de distração, confiança ou pressa. "Os criminosos usam técnicas cada vez mais sofisticadas, como mensagens personalizadas, urgência para pressionar as vítimas e uso de sites muito parecidos com os originais", destaca. Ela acrescenta que muitos criminosos já possuem informações prévias sobre a vítima, o que aumenta a sensação de legitimidade da abordagem.
Entre os principais sinais de alerta estão mensagens com erros de escrita, pedidos de dados pessoais ou financeiros, links com endereços suspeitos e solicitações urgentes de transferência de dinheiro. Outra orientação importante é nunca compartilhar códigos recebidos por SMS ou aplicativos. No caso da clonagem de WhatsApp, por exemplo, o golpe geralmente acontece quando a vítima informa o código de verificação enviado ao celular. "Sempre desligue, procure o contato oficial da empresa e faça você mesmo o retorno para confirmar a informação", orienta a docente.
Além de evitar clicar em links desconhecidos, especialistas recomendam utilizar autenticação em duas etapas, manter aplicativos atualizados e criar senhas fortes. Também é importante limitar a exposição de informações pessoais nas redes sociais, principalmente localização em tempo real, rotina familiar e dados sensíveis.
Caso a pessoa perceba que foi vítima de um golpe, a recomendação é agir rapidamente: trocar senhas, avisar o banco, bloquear contatos suspeitos e registrar boletim de ocorrência. "É importante reunir o máximo de evidências possíveis e cortar o contato com o criminoso o mais rápido possível", ressalta Vivian.
A docente também alerta que idosos e pessoas com menos familiaridade com tecnologia costumam ser alvos frequentes, justamente pela dificuldade em identificar sinais de fraude. Para ela, o diálogo e a orientação constante são fundamentais para reduzir riscos.