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SAÚDE 14/01/2026 20:20:09

Psicóloga explica por que o Ano Novo impulsiona


O início de um novo ano, com sua carga de rituais e esperança, funciona como um gatilho poderoso para o desejo de mudança e renovação. Longe de ser apenas uma convenção social, a virada de calendário carrega um peso psicológico que permite às pessoas autorizarem-se a um recomeço.


Juliana do Nascimento Dutra, professora da Escola Técnica Fundatec e bacharel em Psicologia, explica que esse fenômeno está ligado a um marco simbólico: "Psicologicamente, isso cria a sensação de página em branco: um ponto de virada que dá permissão para recomeçar e reorganizar prioridades. É quase como se nos autorizássemos a deixar o que ficou para trás e tentar novamente, como uma nova chance," afirma Dutra. Segundo a psicóloga, esse efeito é reforçado em ambientes coletivos, como no mundo corporativo, onde equipes reveem metas e processos, amplificando a sensação de renovação. O mês de janeiro oferece uma pausa mental que permite repensar planos e hábitos com mais clareza, algo difícil de conquistar com o acúmulo de demandas durante o ano.

Transformar o desejo de Ano Novo em ações concretas depende, crucialmente, da forma como os objetivos são definidos. A principal diferença entre uma meta realista e uma vaga ou inalcançável reside no impacto emocional que ela pode gerar na motivação.

Ela destaca que metas realistas têm clareza, prazo e um caminho possível, o que aumenta a sensação de progresso e reduz a ansiedade. A armadilha de metas muito amplas ("vou mudar tudo") ou inalcançáveis são as expectativas irreais que podem ser desenvolvidas. "Quando não sabemos, ou não planejamos, o que é necessário para alcançar um objetivo, o risco de se perder é grande, levando à frustração rápida e à desmotivação, porque o cérebro não enxerga um próximo passo concreto," explica. Um objetivo bem planejado é aquele que pode ser executado com o tempo e os recursos que a pessoa realmente tem.

Para garantir que a motivação inicial não se dissipe, a psicóloga sugere tirar o peso da "virada mágica" e trazer as metas para a rotina diária. A força de vontade impulsiva do Ano Novo é rápida; o que sustenta a mudança é a consistência. Uma das estratégias mais eficazes é transformar metas amplas em comportamentos simples, como "vou me exercitar 10 minutos por dia" em vez de "vou mudar meu estilo de vida". A especialista orienta que a constância vale mais que a intensidade e ressalta a importância de recompensas pequenas e imediatas, pois o cérebro responde melhor a ganhos rápidos do que a metas muito distantes.

A sensação de culpa que surge quando as metas não são cumpridas é comum, pois a mente tende a associar a falha à incompetência pessoal. Dutra aponta que, muitas vezes, o que pode ocorrer são planejamentos irreais, mal organizados ou a falta de uma rede de apoio. Lidar com isso de forma saudável passa por reavaliar o contexto, não só o resultado: "Perguntar 'o que impediu?' em vez de 'por que falhei?'", recomenda. Metas são vivas, podem ser ajustadas ao longo do ano, e isso deve ser visto como parte do processo.

Por fim, no planejamento de um ano com equilíbrio, o autocuidado deve ser visto como infraestrutura, e não luxo. "Quando falamos de performance sustentável, autocuidado não é luxo, é infraestrutura. No trabalho com equipes, sempre reforço que produtividade depende de energia, foco, saúde e maturidade emocional", pontua. Integrar o autocuidado significa incluir no planejamento horários de pausa, momentos de desconexão e rituais simples como caminhadas ou hobbies. Essa inclusão impede que o ano comece com a sensação de esgotamento, e focar em micro-metas ou pequenos hábitos diários gera sensação de progresso imediato e treina a consistência, construindo resultados acumulados ao longo do ano.

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