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NACIONAL 02/06/2026 12:44:39

LÍDER DE GRUPO CRIMINOSO PRESO NA BOLÍVIA COMANDAVA ESQUEMA DE ARMAS ALVO DE OPERA&Cce


_Fonte Correio do Povo_

 

Investigação aponta que organização mantinha comércio ilegal de armamentos e lavagem de dinheiro na Região Metropolitana

A investigação da Polícia Civil que resultou na Operação Penhor, deflagrada na manhã desta terça-feira, identificou que o esquema de comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro era liderado por um criminoso já preso, capturado na Bolívia em 2025 e atualmente recolhido no sistema prisional.

Embora a Polícia Civil não confirme o nome do investigado, o Correio do Povo apurou que o apenado apontado como líder do esquema é Juliano Biron da Silva. Ele é considerado um dos chefes de uma das principais facções atuantes no Estado, e atuava de forma estruturada na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Coordenada pela 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (2ª DIN) do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), a ofensiva cumpriu 94 medidas cautelares, entre 24 mandados de prisão preventiva, 22 de busca e apreensão, além de sequestros de veículos, imóveis e bloqueios de contas bancárias. Conforme a polícia, 20 investigados foram presos.

Conforme o delegado Wesley Lopes, a apuração revelou que, mesmo preso, o líder continuava exercendo influência sobre a organização criminosa, que tinha base no Vale do Sinos e era responsável pelo abastecimento de armas e munições para outros grupos. “Descortinamos o núcleo de uma organização criminosa com divisão de tarefas, com lideranças, operadores financeiros e responsáveis pela logística e comercialização de armas de fogo”, afirmou.

Segundo a investigação, o grupo atuava não apenas no comércio clandestino de armamentos, incluindo armas de uso restrito, mas também mantinha um esquema estruturado de lavagem de dinheiro. Entre as estratégias identificadas, estava o uso de empresas formalmente constituídas, especialmente revendas de veículos em Gravataí, para dar aparência lícita aos valores obtidos com crimes como tráfico de drogas, agiotagem e venda ilegal de armas.

Os investigados utilizavam terceiros para registrar bens e, posteriormente, revendê-los, simulando operações comerciais regulares. A prática permitia a circulação de recursos ilícitos dentro do sistema financeiro formal.

O nome da operação faz referência a uma interceptação telefônica que deu origem às investigações. Na chamada, o próprio líder da organização demonstra inconformismo com a negociação interna de uma arma de fogo. “Foi um diálogo que ele teve com outros membros da organização, ordenando que não fosse feito o empenho da arma de fogo e que ela fosse devolvida. Segundo ele, naquela não deveriam ser cobrados valores entre membros da facção”, explica o delegado.


A ação ocorreu em Porto Alegre, Gravataí, Cachoeirinha e Cidreira e integra a Operação Narke VI, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. As diligências seguem para localizar foragidos, aprofundar a análise do material apreendido e identificar outros envolvidos no esquema criminoso.

Quem é o apontado líder do esquema
Apontado como líder do grupo investigado, Juliano Biron da Silva foi condenado pelo Tribunal do Júri, em fevereiro de 2020, pelo homicídio do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, de 22 anos, ocorrido em Canoas, em 2015. Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a vítima foi atraída para um encontro e atingida por 19 disparos de arma de fogo. Biron foi sentenciado a 18 anos de reclusão, em regime fechado.

Considerado foragido da Justiça brasileira à época, ele foi preso em setembro do ano passado em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após ação com base em informações da Polícia Federal. Apontado como um dos chefes de organização criminosa no Rio Grande do Sul, ele possuía outros mandados de prisão em aberto e já havia sido alvo de medidas de sequestro de bens avaliados em mais de R$ 120 milhões.

Após a captura, o criminoso foi entregue às autoridades brasileiras e encaminhado ao sistema prisional do Estado, onde permanece e foi alvo do cumprimento de mandado nesta terça-feira.

Apreensões passam dos R$ 13 milhões
As medidas judiciais cumpridas na Operação Penhor atingiram diretamente o patrimônio do grupo investigado, com restrição de bens estimada em cerca de R$ 13 milhões. O valor inclui o sequestro de 36 veículos, dois imóveis e o bloqueio de 10 contas bancárias, medidas consideradas estratégicas para enfraquecer a estrutura financeira da organização criminosa.


De acordo com a Polícia Civil, a descapitalização dos investigados é um dos principais objetivos da ofensiva, ao impedir a movimentação e a ocultação de recursos obtidos por meio das atividades ilícitas. A ofensiva mobilizou 110 policiais civis, distribuídos em 31 viaturas, para o cumprimento simultâneo das ordens judiciais em Porto Alegre, Gravataí, Cachoeirinha e Cidreira.

Durante as diligências, também foram apreendidos cerca de R$ 30 mil em dinheiro, oito veículos, uma moto aquática e três armas de fogo, materiais que passam a integrar o conjunto da investigação.

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