BOLSAS EUROPEIAS SE RECUPERAM, MAS ÁSIA REGISTRA QUEDAS RECORDES COM A GUERRA
_Fonte Correio do Povo_
Instabilidade no Oriente Médio provoca cenário misto nos mercados financeiros globais, com temores sobre o Estreito de Ormuz
O cenário financeiro global apresenta sinais mistos nesta quarta-feira (4), no quinto dia de hostilidades no Oriente Médio. Enquanto as bolsas europeias operam em leve alta, interrompendo uma sequência de perdas acentuadas, os mercados asiáticos encerraram o pregão com quedas históricas. O índice Kospi, de Seul, despencou 12,06%, o pior resultado em um único dia, refletindo o temor de que o prolongamento da guerra e a instabilidade no Estreito de Ormuz destruam as cadeias de suprimento e os lucros corporativos globais.
EUROPA RESPIRA APÓS PERDAS DE 5%
Na Europa, o índice Stoxx 600 avançava 0,55% por volta das 6h35, impulsionado pelos setores de tecnologia e saúde. O mercado tenta se estabilizar após uma semana de volatilidade extrema, apoiado por dados ligeiramente positivos do PMI de serviços da zona do euro (51,9). Contudo, a tensão permanece alta diante da retaliação iraniana e das pressões diplomáticas de Washington. Donald Trump ameaçou suspender o comércio com a Espanha após Madri negar o uso de bases militares para a campanha contra o Irã, além de prometer escolta militar para navios-tanque em Ormuz.
PÂNICO NA ÁSIA E OCEANIA
Diferente do otimismo cauteloso europeu, o fechamento na Ásia foi sombrio. Além do tombo recorde em Seul, o Nikkei (Tóquio) caiu 3,61% e o Taiex (Taiwan) cedeu 4,35%. Analistas de mercado em Hong Kong classificam a situação como "fora de controle", criticando o que chamam de erro de cálculo estratégico dos EUA. Na China, as quedas foram contidas (Xangai -0,98%) à espera de novos anúncios econômicos do Legislativo chinês, enquanto na Austrália o índice S&P/ASX 200 fechou no vermelho com baixa de 1,94%.
TENSÕES COMERCIAIS E ESCOLTA DE PETRÓLEO
A volatilidade do mercado reflete diretamente a incerteza sobre o fluxo energético. A proposta de Trump de escoltar navios no Estreito de Ormuz é vista com ceticismo por investidores, que temem um confronto direto entre as marinhas americana e iraniana, o que tornaria o transporte de petróleo inviável no curto prazo. A ruptura diplomática com a Espanha também adiciona uma camada de incerteza sobre a unidade da OTAN em meio à escalada militar.