FÓSSIL DE NOVA ESPÉCIE DE RÉPTIL COM 230 MILHÕES DE ANOS É DESCOB
_Fonte Diário de Santa Maria_
Paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) identificaram uma nova espécie de réptil pré-histórico que viveu há cerca de 230 milhões de anos, a partir de um crânio fóssil encontrado em Agudo, na região da Quarta Colônia. A descoberta foi publicada na terça-feira (14) no periódico científico Royal Society Open Science, revista internacional vinculada à Royal Society, instituição científica britânica de referência mundial.
Batizada de Isodapedon varzealis, a espécie pertence ao grupo dos rincossauros, répteis herbívoros quadrúpedes caracterizados pelo crânio triangular e pelo bico pontiagudo semelhante ao de papagaios.
ONDE O FÓSSIL FOI ENCONTRADO
O fóssil foi escavado em 2020 em um sítio fossilífero de Agudo, área que já revelou alguns dos dinossauros mais antigos do mundo. Depois da retirada, o material passou por preparação no laboratório do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa), da UFSM, em São João do Polêsine.
A pesquisa foi desenvolvida no âmbito da dissertação de mestrado da pesquisadora Jeung Hee Schiefelbein, atualmente doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller. Também assinam o estudo Maurício Silva Garcia e Mariana Doering.
O QUE DIFERENCIA A NOVA ESPÉCIE?
Segundo os pesquisadores, a nova espécie se diferencia de outros rincossauros já conhecidos pela configuração mais simétrica das placas dentárias nos maxilares. O nome Isodapedon faz referência justamente a essa característica, enquanto varzealis remete à localidade onde o fóssil foi encontrado, na região da Várzea do Agudo.
Com base no tamanho do crânio, os cientistas estimam que o animal media entre 1,2 metro e 1,5 metro de comprimento, podendo chegar a até 3 metros, conforme comparação com espécies aparentadas. Herbívoro, ele ocupava posição de consumidor primário no ecossistema e provavelmente servia de presa para répteis carnívoros maiores da época.
LIGAÇÃO COM FÓSSEIS DA EUROPA
A análise também aponta parentesco próximo entre a espécie gaúcha e Hyperodapedon gordoni, encontrada na Escócia. A semelhança é explicada pela configuração dos continentes no período Triássico, quando as massas de terra hoje separadas, como América do Sul e Europa, estavam unidas no supercontinente Pangeia. Essa formação permitia a circulação de animais por áreas que atualmente estão distantes entre si, favorecendo a dispersão das espécies.
IMPORTÂNCIA DA DESCOBERTA
Com a descoberta, sobe para seis o número de espécies de rincossauros identificadas no Triássico brasileiro. O fóssil integra agora o acervo científico do Cappa/UFSM, que abriga coleções paleontológicas e mantém visitação gratuita ao público.