RETROESCAVADEIRA E DUAS ESCAVADEIRAS: COMO PREFEITURA DESENTERROU CAMINHÃO DESAPARECIDO
_Fonte G1 RS_
Veículo estava sumido dos registros oficiais e foi localizado após apuração interna. Polícia Civil abriu inquérito e realiza perícia para identificar responsáveis por ocultar o patrimônio público.
Um dia de trabalho e três máquinas deram fim a um mistério que já fazia parte das rodas de conversa em Araricá. A prefeitura utilizou uma retroescavadeira, uma escavadeira hidráulica e uma mini escavadeira para desenterrar um caminhão-caçamba desaparecido há uma década.
As buscas começaram após um levantamento de patrimônio realizado no começo de 2025 pela Prefeitura. O prefeito Oseias Cardoso afirmou que circulavam boatos indicando o local onde o veículo estaria enterrado.
Equipes do Executivo foram enviadas à área para verificar as informações. O resultado dessas buscar causou preocupações.
"Começamos a ouvir as pessoas que trabalham aqui e disseram: 'olha, esse caminhão foi enterrado na beira do arroio'. A gente não queria acreditar, porque é algo bem grave, é um crime ambiental, tem vários problemas", afirmou Cardoso.
O caminhão foi encontrado às margens do Arroio Ferrabrás. É um terreno público, pertencente à Prefeitura, chamado Largo das Azaleias. Fica do lado de uma escola municipal de Educação Infantil e de edificações que hospedam secretarias do governo, como a pasta de Obras, além do Corpo de Bombeiros Voluntários de Araricá.
"Na sexta-feira, dia 22 de maio, começamos os trabalhos e conseguimos concluir o desenterramento no mesmo dia", explica o prefeito.
Para ser desenterrado, o veículo precisou ser desmanchado. A caçamba, por exemplo, teve de ser desmembrada do restante do caminhão. Uma das peças mais importantes era o chassi, que contém informações podem gerar esclarecimentos para a polícia.
O que restou do caminhão segue no local, que ainda deverá passar por mais perícias da Polícia Civil, que abriu um inquérito para investigar o caso e tentar identificar os responsáveis por enterrar o patrimônio público.
"Falei para o pessoal: 'vamos ver, vamos pegar as máquinas e começar a fazer buraco em torno do arroio para ver se temos alguma coisa. Para nossa surpresa, o operador da máquina encontrou. Fiquei sem acreditar", disse.
A investigação tenta descobrir quando exatamente o caminhão foi enterrado, quem ordenou e quais seriam as motivações. Além, disso, também apura a ocorrência de possíveis crimes ambientais.
Segundo o Executivo, o último registro oficial de movimentação do veículo é de 2014, quando chegou a ser multado em Porto Alegre. No entanto, há o registro de uma imagem do Google que supostamente mostraria o caminhão trabalhando em uma terraplanagem no município em 2017.
A suspeita é de que o desaparecimento tenha ocorrido entre 2017 e 2018.