INDÚSTRIA QUÍMICA VÊ DESAFIOS, MAS COMEMORA APROVAÇÃO DE PROGRAMA
_Fonte Correio do Povo_
Setor foi debatido em fórum realizado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) na Fiergs, em Porto Alegre
Os desafios da indústria petroquímica no Rio Grande do Sul e no país foram debatidos nesta segunda-feira no Fórum Indústria Química RS: competitividade, inovação e desenvolvimento do Brasil. O evento foi promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em parceria com o Sindicato das Indústrias Químicas no Estado do RS (Sindiquim) e o Comite de Fomento Industrial do Polo do RS (Cofip RS), e realizado na sede da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), em Porto Alegre, reunindo autoridades, especialistas e representantes da cadeia produtiva.
Entre as pautas, a busca por soluções para manter a competitividade do segmento diante de um cenário internacional turbulento. O presidente da Abiquim, André Passos Cordeiro, salientou que conflitos geopolíticos e a volatilidade do petróleo elevaram os custos de produção, espremendo as empresas locais entre a abundância de gás de xisto norte-americano e a expansão industrial chinesa. Assim, há a necessidade da mobilização institucional por infraestrutura, como a importação de gás argentino, e a implementação de incentivos tributários estratégicos para reduzir o preço das matérias-primas.
“Há algum tempo, vemos percebendo a pressão que o custo delas aportava na indústria química. Assim, propusemos um sistema de desoneração tributária em função deste preço no Brasil ser mais alto do que em outros lugares, para reduzir o custo de aquisição e permitir que possamos competir em condições mais próximas com nossos concorrentes dos Estados Unidos e China”, afirmou ele.
“Entramos na crise com um programa estabelecido que nos possibilita enfrentar melhor este cenário, ao passo de que estamos bem posicionados na cadeia de suprimentos, por não comprarmos tanto de regiões de conflito, como o Oriente Médio. Assim, temos condições de abastecer a população brasileira dos produtos químicos mais importantes sem um risco elevado”, acrescentou.
O presidente da Frente Parlamentar Mista pela Competitividade da Cadeia Produtiva do Setor Químico, Petroquímico e de Plástico e da Química Fina na Câmara dos Deputados, deputado federal Afonso Motta, destacou o programa citado por Cordeiro, na realidade dois, o Reiq (Regime Especial da Indústria Química) e o Presiq (Programa Especial de Sustentabilidade para a Indústria Química), este último sancionado em março deste ano pelo presidente Lula, que oferecem alívios fiscais, como redução nas alíquotas de Pis/Pasep e Cofins.
Isto deverá garantir, segundo ele, cerca de R$ 3 bilhões anuais em benefícios para as indústrias de todo o país. Para ele, foram conquistas “muito importantes”. “Todo o processo iniciou por um fato, de que na competitividade global, estamos perdendo espaço, que, objetivamente, determina uma capacidade ociosa nas indústrias. E com estes movimentos de regulação que aprovamos, temos muita esperança de que haja uma recuperação”, salientou Motta.