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ESTADO RS 27/02/2026 17:16:47

FAMÍLIA ENCONTRA LARVAS NA BOCA DE PACIENTE INTERNADO EM UTI NO RS


_Fonte g1_

 

Homem de 68 anos está em estado grave em Capão da Canoa, no Litoral Norte; família registrou ocorrência na polícia e denunciou o caso ao Ministério Público.

A família de um paciente internado no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, denunciou a casa de saúde após encontrar larvas na boca do homem durante uma visita à UTI.

Reni Farias da Silveira, 68 anos, está internado em estado grave e aguarda transferência para Porto Alegre. A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil e ao Ministério Público.

Segundo as filhas, a situação foi descoberta na segunda-feira (23). "Quando eu vi a boca dele, já vi aquelas larvas. Até subi numa escadinha que tinha ali, olhei bem e abri a boca dele. Estava tomada de larvas", relata Pâmela Medeiros da Silveira.

Reni deu entrada inicialmente em Xangri-Lá no dia 24 de janeiro, com dores, e foi transferido dois dias depois para Capão da Canoa com diagnóstico de compressão medular. A família afirma que o quadro evoluiu com complicações, incluindo um acidente vascular cerebral (AVC) recente e infecção bacteriana.

Neste domingo (22), os familiares disseram ter percebido moscas no ambiente da UTI e que o ar-condicionado do leito estava desligado, situação comunicada à equipe de enfermagem. No documento entregue ao hospital, eles questionam por que a limpeza só teria ocorrido no dia seguinte.

"É uma UTI. Não deveria ter mosca. Deveria ser o local mais limpo possível", afirma a filha Larissa Medeiros da Silveira.
Após encontrar o pai naquela condição, a família buscou assistência jurídica, registrou boletim de ocorrência e formalizou denúncia ao Ministério Público. Eles pedem urgência na transferência para um hospital com estrutura especializada.

Em nota, o hospital de Capão da Canoa destaca que "adotou todas as condutas assistenciais necessárias e executou avaliação clínica imediata do paciente". E acrescenta que: "A instituição reforça que mantém protocolos rigorosos de controle de infecção, higiene ambiental e segurança assistencial, e que apura as circunstâncias do episódio para implementar medidas adicionais, se necessário." Leia abaixo na íntegra.

Questionada pela reportagem, a Secretaria da Saúde informa que o nome do paciente está no sistema de Gerenciamento de Internações Hospitalares e "aguardando a disponibilização de leito adequado ao seu quadro clínico".

A advogada da família, Daiana Soraya da Silva, afirma que o paciente só teria sido incluído no Sistema Estadual de Regulação dias após a internação, mesmo já apresentando quadro grave. Segundo ela, a regulação só ocorreu após pressão da família.

O que diz o governo do estado
"A Secretaria da Saúde informa que o paciente Reni Farias da Silveira encontra-se internado no Hospital Luzia, onde recebe toda a assistência necessária por parte da equipe médica e multiprofissional.

O caso está devidamente inserido no sistema de Gerenciamento de Internações Hospitalares e segue em processo de regulação, conforme os protocolos vigentes, aguardando a disponibilização de leito adequado ao seu quadro clínico.

Ressaltamos que o paciente apresenta bactéria multirresistente, o que exige a necessidade de leito com condições específicas de isolamento, garantindo segurança assistencial tanto ao paciente quanto aos demais internados.

A Secretaria da Saúde permanece acompanhando o caso de forma permanente, atuando para viabilizar, com a maior brevidade possível, a transferência para unidade que atenda às necessidades clínicas apresentadas."

O que diz a Prefeitura de Capão da Canoa
"A Secretaria Municipal de Saúde de Capão da Canoa tomou conhecimento do caso mencionado.

Esclarecemos que o paciente não é residente de Capão da Canoa, e que o hospital citado não integra a rede pública municipal.

Ainda assim, diante da gravidade da situação relatada, a Secretaria está em contato com a direção do Hospital Santa Luzia para verificar as condições do paciente e acompanhar as providências adotadas.

Também foi realizado contato com a Secretaria Estadual de Saúde, solicitando celeridade na liberação de leito, haja visto a necessidade de transferência.

Importante destacar que, embora a Secretaria Municipal exerça função de fiscalização contratual e acompanhamento dos serviços prestados, não possui ingerência direta sobre fluxos internos, condutas médicas ou protocolos assistenciais adotados pela instituição hospitalar.

Permanecemos acompanhando o caso e à disposição para prestar esclarecimentos institucionais."

O que diz o Hospital Santa Luzia
"O Hospital Santa Luzia informa que tomou conhecimento de um relato envolvendo um paciente internado e que, imediatamente após a ciência, tomou todas as medidas para apurar o ocorrido. Além disso, adotou todas as condutas assistenciais necessárias e executou avaliação clínica imediata do paciente.

Destaca-se que, para os aspectos relatados, foram implementadas soluções de forma também imediata. As medidas adotadas foram suficientes para o ocorrido, não interferindo no quadro clínico assistido no hospital.

A instituição reforça que mantém protocolos rigorosos de controle de infecção, higiene ambiental e segurança assistencial, e que apura as circunstâncias do episódio para implementar medidas adicionais, se necessário.

O hospital está prestando suporte integral à família, mantendo diálogo aberto e oferecendo todos os esclarecimentos.

Reiteramos nosso compromisso com a segurança, a ética e a qualidade da assistência prestada.

Capão da Canoa, 27 de fevereiro

Direção do Hospital Santa Luzia"

O que diz o Ministério Público
"O Ministério Público em Capão da Canoa recebeu representação da família do paciente relatando a situação. A Promotoria de Justiça já adotou providências no âmbito da tutela individual do caso. Paralelamente, será instaurada investigação de natureza coletiva para apurar possíveis irregularidades estruturais, condições de insalubridade e falhas no atendimento prestado não apenas a esse paciente, mas a outros internados na instituição. A situação retratada em vídeo e fotografias, que mostram o paciente em condição degradante, com presença de larvas na cavidade bucal, é absolutamente inadmissível em qualquer contexto, especialmente dentro de um ambiente hospitalar destinado à proteção e cuidado de pessoas vulneráveis.

Também foi expedido ofício à 18ª Coordenadoria Regional de Saúde, em Osório, órgão responsável pela fiscalização e pela autorização de funcionamento das unidades hospitalares, solicitando vistoria imediata no local e a adoção das medidas administrativas pertinentes. Como há notícia de possível negligência médica, o caso também foi encaminhado para apuração específica dessas condutas.

A investigação do Ministério Público buscará identificar onde ocorreu a falha que permitiu que um paciente internado chegasse a tal estado. Serão analisados aspectos como eventual falta de profissionais, rotinas hospitalares inadequadas, ausência de protocolos mínimos de cuidado, falhas de gestão ou insuficiência de qualificação técnica das equipes. O objetivo é verificar quais padrões sanitários e de atendimento não foram observados e determinar as responsabilidades, garantindo a correção das falhas e a proteção não apenas desse paciente, mas de todos os demais atendidos na instituição.

Assim que os resultados das averiguações forem encaminhados pelos órgãos competentes, o Ministério Público adotará as medidas necessárias em relação ao hospital e aos responsáveis pelas irregularidades identificadas."

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