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ESTADO RS 20/03/2026 18:52:08

ARROZ GAÚCHO VIVE UM INÍCIO DE ANO HISTÓRICO NAS EXPORTAÇÕES


_Fonte Correio do Povo_

 

Apenas em fevereiro os embarques cresceram 284% em volume e 106% em receita ante o mesmo mês de 2025, enquanto o setor em geral teve queda de 14%

Os embarques excepcionais do arroz em fevereiro evitaram que as cotações do cereal, já muito pressionadas para os produtores, ficassem ainda mais deprimidas. A avaliação é da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), que divulgou nesta sexta-feira, 20, os resultados das exportações do agronegócio gaúcho no mês passado.

O grão teve um crescimento de 284,2% no volume exportado e 106,7% em valor. Foram 160.724 toneladas no mês passado, ante 41.830 em fevereiro de 2025, e receita de 43,380 milhões de dólares, contra 20,988 milhões no mesmo período anterior. No acumulado do ano, portanto janeiro mais fevereiro, já são 345 mil toneladas e 95,644 milhões de dólares, incremento de 195% e 70% sobre o primeiro bimestre do ano passado.

“O desempenho ocorreu em ambiente de baixa liquidez e insatisfação dos produtores com os preços no mercado interno gaúcho, o que reforça a importância do canal externo para absorver parte da oferta”, avaliou a Farsul os números de fevereiro.

“Dada a crise que o setor enfrenta, o porto é um é um mecanismo, uma válvula de escape importante para ajudar a diminuir um pouco essa crise. Num momento como este é natural que as exportações aumentem, e é ótimo para o produtor como um todo. E gostaríamos de que saísse até mais”, complementou o assessor de Relações Internacionais da entidade, Renan Hein dos Santos.

As vendas foram encabeçadas principalmente por México, Senegal, Venezuela e Costa Rica, que não tinham feito aquisições relevantes no fevereiro anterior, além de aumento para Cuba. “O arroz gaúcho tem muita qualidade. Então, quem compra esse produto normalmente vira cliente fiel, e estamos num bom período para vender também", justificou Santos. “Porque eles têm a demanda e a gente tem uma oferta, bem normal.”

Queda no geral

Conforme os números da Farsul, em fevereiro o agronegócio gaúcho vendeu 881,7 milhões de dólares, ou 69,8% de tudo o que o Estado negociou ao exterior, em 1,26 bilhão de dólares, enquanto em volume representou 88,3% do total.

Na comparação com o mesmo período de 2025, o agro teve queda de 14,4% no valor exportado (um total de US$ 881,7 milhões em relação a US$ 1,03 bilhão no mesmo período de 2025) e de 19,5% no volume, ou 1,55 milhão de toneladas ante 1,92 milhão.

O resultado é um reflexo principalmente da menor oferta de grãos no mercado, principalmente da soja, além de uma base elevada do trigo em comparação com 2025.

“As quedas de valor se detiveram principalmente na soja em grão, no trigo e no fumo manufaturado, sendo que os dois primeiros também tiveram grande responsabilidade da queda no volume exportado”, sintetizou a entidade. O trigo teve redução no volume, apesar da demanda pelo produto não se alterar. “É um sinal de que o trigo gaúcho tem perdido espaço no mercado internacional”, interpretou.

Já a soja teve recuo forte, com baixa disponibilidade do grão no final da entressafra e ausência de embarques para o Irã. O fumo e derivados caíram 20,3% no valor, mas de apenas 0,7% no volume, o que indica uma deterioração de preços médios e uma combinação menos favorável de produto e mercados no mês. Os produtos florestais encolheram 11,6% no valor e 5,5% no volume, concentrados em celulose e madeira serrada.

Mais bois vivos

Em proteína animal, aumento de 23,4% no valor, para 20,197 milhões de dólares, e 24,2% no volume das vendas de boi vivo na comparação com o fevereiro anterior, e a Turquia segue como principal mercado. Na carne bovina, também alta, de 31,3% no valor e 8,5% no volume, com a China como principal mercado, além de avanços para a Rússia e Jordânia, o que compensou recuos no mercado americano.

A carne de frango teve queda de 5,8% no valor e 12,4% no volume, com dificuldade nos mercados do Oriente Médio e Norte da África.

“O desempenho da proteína no Estado foi forte, mas questões logísticas e comerciais nas regiões prejudicaram o resultado”, relatou a Farsul. “As Filipinas reforçaram sua importância no mercado da carne suína, principal destino do produto, que teve alta de 21,1% em valor e 22,4% em volume.”

E os principais parceiros comerciais em fevereiro foram a Ásia (exceto Oriente Médio) que se manteve como o principal destino, totalizando US$ 367,7 milhões e 690 mil toneladas, à frente da Europa, em 151,7 milhões de dólares, dos quais 119 milhões à União Europeia, e o Oriente Médio, que ocupou a terceira posição, com 95,3 milhões.

Entre os países, a China permanece na liderança, com 103,5 milhões de dólares em fevereiro, fatia de 11,7%, e na sequência destaque a Vietnã, 7,9%, Estados Unidos, 7%, Indonésia, 6,8%, e Filipinas, 6,6%, “evidenciando a importância da diversificação de mercados, especialmente no continente asiático”, argumentou a Farsul.

Desempenho por produtos

Bovinos vivos: as exportações avançaram 23,4% em valor e 24,2% em volume na comparação interanual. A Turquia seguiu como principal destino e a entrada do Egito, com US$ 4,3 milhões e 1,6 mil toneladas, mais do que compensou a leve acomodação turca. O crescimento do mês foi sustentado por demanda externa ainda firme e por diversificação pontual de destinos.

Carne bovina: cresceram 31,3% em valor e 8,5% em volume, com o produto in natura respondendo pela maior parte da alta. A China foi o principal destino, com US$ 10,4 milhões e 1,8 mil toneladas, após não registrar compras em fevereiro de 2025, o que torna a base de comparação especialmente favorável; também houve avanço para Rússia e Jordânia, mais do que compensando os recuos em Estados Unidos e Reino Unido.

Carne de frango: queda de 5,8% em valor e 12,4% em volume. A perda se concentrou, sobretudo, nos embarques para Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, Argélia, Omã, Iraque e Jordânia, indicando menor tração em mercados do Oriente Médio e do Norte da África; houve compensação parcial via Países Baixos, Japão, Singapura, México e China, mas insuficiente para reverter o resultado do mês. Embora o Brasil tenha registrado desempenho forte em fevereiro, no caso gaúcho a pauta ficou mais exposta a mercados do Oriente Médio e do Norte da África, que naquele momento operavam sob maior incerteza logística e comercial.

Carne suína: cresceram 21,1% em valor e 22,4% em volume. Houve forte concentração nas Filipinas, que responderam por US$ 38,9 milhões e 16,3 mil toneladas, além de contribuições positivas de Chile, Vietnã e África do Sul; em sentido contrário, queda relevante para China, Hong Kong e Singapura. O resultado gaúcho converge com a tendência nacional, em que as Filipinas reforçaram a liderança entre os destinos da carne suína brasileira.

Arroz: registrou crescimento de 106,7% em valor e 284,2% em volume, num fevereiro excepcional para o produto. O avanço foi puxado principalmente por México, Senegal, Venezuela e Costa Rica, que não haviam apresentado embarques relevantes no mesmo mês do ano anterior, além do aumento para Cuba.

Trigo: a queda do volume exportado refletiu menos um problema de demanda e mais uma perda de espaço do trigo gaúcho em mercados que haviam concentrado compras no ano anterior. No lado da oferta, o Brasil seguiu operando com excedente exportável limitado e dependência estrutural de importações. No mercado internacional, a forte recuperação da safra argentina, com maior competitividade externa, ampliou a concorrência justamente em destinos asiáticos relevantes, como Vietnã, Indonésia e Bangladesh. Em paralelo, parte da demanda desses mercados foi atendida por outras origens em um ambiente global de ampla oferta, o que reduziu o espaço para embarques do RS.

Soja em grãos: recuaram fortemente em fevereiro, refletindo baixa disponibilidade exportável no fim da entressafra, em um momento em que a colheita gaúcha ainda era incipiente. Pesaram sobretudo a ausência de embarques para o Irã e a redução das vendas para a China. O quadro foi agravado pelo carry-over mais apertado da safra 2024/25, prejudicada pela estiagem, o que reduziu a oferta disponível antes da entrada mais efetiva da nova safra.

Fumo e seus produtos: caíram 20,3% em valor, mas recuaram apenas 0,7% em volume, o que sugere deterioração de mix e de preços médios, mais do que retração generalizada das quantidades embarcadas. A principal se deu no fumo não manufaturado e se concentrou em Indonésia, Bélgica, Alemanha, Vietnã e Egito, parcialmente compensada por aumentos para China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Líbia e Montenegro. O volume embarcado quase não caiu, mas o valor recuou bastante, indicando que o RS exportou, em fevereiro, uma combinação menos favorável de mercados e produtos dentro do grupo do fumo.

Produtos florestais: o grupo recuou 11,6% em valor e 5,5% em volume, com a queda concentrada em celulose e madeira serrada. No caso da celulose, houve perdas importantes em Itália, Emirados Árabes Unidos, Taiwan e Índia, parcialmente compensadas por avanços para China, Países Baixos, Dinamarca e Coreia do Sul; também chamou atenção o aumento das exportações de madeira em estilhas ou em partículas. A retração do grupo foi relevante, mas menos disseminada do que sugere o dado agregado.

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