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AGRONEGÓCIO 14/03/2026 16:07:49

EM PROPRIEDADE DE SÃO VALENTIM, VICE-PRESIDENTE DA FARSUL TEME FALTA DE DIESEL PARA COLHER A


_Fonte Diário de Santa Maria_

 

O conflito dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã vem causando reflexos no interior do Estado e está chegando cada vez mais perto de Santa Maria. Por aqui, há um temor entre produtores com a aproximação da colheita da soja que, após cinco anos de perdas, pode voltar a ter uma boa safra. É o que diz um dos vice-presidentes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Sérgio Renato Rossi, 70 anos, que possui propriedade no Distrito de São Valentim, em Santa Maria.

Quem utiliza a BR-158 em direção a Rosário do Sul, ao lado da Cotrijuc, encontra campos com uma boa plantação de soja. É ali que fica uma das propriedades de Renato, que também é presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores de Toropi (Coomat). Em um dos galpões da propriedade (foto abaixo), ficam dois galões que têm capacidade de armazenar 8 mil litros de diesel. Para colher a soja, que pode ficar pronta para colheita em um pouco mais de 20 dias, o produtor precisa de 18 mil litros. Atualmente, há disponíveis 5 mil litros, com os quais é possível colher por dois dias. Mas, por enquanto, não há expectativa de chegar mais combustível até a propriedade, já que está difícil conseguir o produto nas distribuidoras de Santa Maria.

Na semana passada, a reportagem ouviu alguns caminhoneiros e distribuidores que relataram a falta de liberação para distribuição para o que chamam de TRR (Transportador Revendedor Retalhista), que é a prática de comprar diesel de distribuidoras e entregá-lo diretamente a empresas, frotas e máquinas, sem operar posto aberto ao público.

– Já temos 16% da área do Rio Grande do Sul colhida e com a produtividade 500 kg menor que do ano passado, os preços estão totalmente achatados e hoje nós chegamos a essa grande expectativa, essa grande notícia da falta do diesel. Isso aí tem nos criado um clima de pavor no produtor rural gaúcho, de um modo geral, porque é uma preocupação de nós chegarmos na hora sagrada da nossa lavoura, que é a colheita, e nós não termos diesel para colher. Então, é uma preocupação muito séria – comenta.

Para cobrar explicações sobre a falta de diesel, o presidente da federação, Domingos Velho Lopes, cobrou da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) explicações sobre a falta do produto:


– Eles deram uma notícia favorável de que não haverá falta de diesel. Há um momentâneo desabastecimento, mas está sendo feito um esforço para regularizar – afirma o vice-presidente.


Renato, que também é presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores de Toropi (Coomat), disse que, ao ouvir os demais produtores da região, confirmou o cenário geral de incerteza. O produtor que comprava, antes da guerra, o diesel a R$ 5,20, hoje compra a mais de R$ 7. A falta de informação clara sobre por qual motivo não está sendo liberado o diesel é uma das perguntas que os produtores fazem.

– Então, é essa incerteza, essa insegurança que cria um clima de pavor na sociedade agrícola em geral. Mas, por parte das distribuidoras, não há uma informação oficial. As distribuidoras, quando a gente liga para lá perguntando, não dão o preço, não garantem e não garantem a data de entrega – afirma.


Além do diesel, a guerra trouxe mais de um impacto. Os insumos que compõem a produção também sofreram e já registram aumentos no preço. Os adubos e os nitrogenados servem para a paridade da produção. Com a colheita à vista e a plantação de pastagens após a colheita, surge mais um motivo de preocupação.


– É a questão dos adubos. Os nitrogenados, principalmente, estão com os preços muito alterados. A ureia, que é um insumo básico agora para nossas pastagens, está nos trazendo também uma grande preocupação.


Por fim, Renato disse que a guerra no Oriente Médio tem provocado incerteza no mercado de insumos agrícolas, especialmente pela alta no frete marítimo e pelo risco de alteração de preços de fertilizantes importados. Grande parte da ureia, utilizada na produção agrícola, é importada da região do Oriente Médio, o que aumenta a preocupação do setor.

 

Aumento do diesel

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras, com vigência a partir de sábado (14). O valor médio do diesel A passa a R$ 3,65 por litro, enquanto a participação da estatal no preço do diesel B, vendido nos postos, será em média de R$ 3,10.

Segundo a companhia, o reajuste ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, pressionado pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O preço do barril tipo Brent subiu cerca de 40% em duas semanas, aproximando-se de US$ 100.

Para reduzir o impacto, o governo federal zerou PIS e Cofins sobre o diesel e autorizou subvenção de até R$ 0,32 por litro, medidas que podem gerar alívio total de R$ 0,64 no preço ao consumidor.

A Petrobras informou ainda que o último ajuste no diesel havia ocorrido em maio de 2025, quando houve redução. Desde dezembro de 2022, segundo a estatal, o preço do combustível para distribuidoras acumula queda de R$ 0,84 por litro (29,6%), considerando a inflação.

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