RIO GRANDE DO SUL APOSTA EM ESTRATÉGIAS E ROTAS DE DESCARBONIZAÇÃO
_Fonte Correio do Povo_
Edição do Conexão COFEM, do Sindienergia-RS, tratou da transição energética e as diferentes perspectivas do setor
O Rio Grande do Sul tem apostado em roteiros técnicos para descarbonização de cadeias produtivas essenciais, com o objetivo de reduzir as emissões de gases até as próximas décadas. A estratégia inclui ações como fomento de energia renovável e investimentos de hidrogênio de baixo carbono, e tem sido alinhada com projetos e investimentos no Estado. Empresárias, especialistas e profissionais do setor reuniram-se nesta quinta-feira para a edição do Conexão COFEM, do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), em parceria com a Portos RS. O encontro, que ocorreu no auditório da Portos, no Cais Mauá, foi focado, principalmente, no tema da transição energética e as diferentes perspectivas do setor.
A presidente do Sindienergia-RS, Daniela Cardeal, ressaltou a importância de trazer segurança no fornecimento de energia ao estado. "Ainda somos um estado que não produz toda a energia que que precisa, que tem uma alta demanda, então a gente acaba importando muita energia. Só que historicamente, nós já somos um estado descarbonizado e a gente vem trazendo essa bandeira de aumentar o fornecimento de energia com renováveis e deve continuar nessa linha".
Um ponto essencial dessa matriz é a logística, pontuou a presidente. Para isso, tem sido discutida a possibilidade de descarbonizar os portos. Há, inclusive, alinhamentos em uma ação que envolve o Ministério de Portos e Aeroportos do Brasil. Protocolos envolvendo outros países têm sido trabalhados, como com a Holanda, por meio do Green Ports Partnership (GPP), e outros modelos de descarbonização em portos dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Bélgica.
No encontro, foram apresentados os potenciais, as experiências e as rotas existentes de descarbonização no setor portuário. No caso do Rio Grande do Sul, é possível pensar, também, nas hidrovias para esse cenário. Entre os principais desafios, está o transporte e o combustível adequados. "O biodiesel tem um papel extremamente importante, mas também nós estamos fomentando o hidrogênio verde, veículos elétricos, então todas essas essas discussões entram na pauta", afirma Daniela.
Também presente no painel, a presidente do Conselho de Administração da Portos RS, Jacqueline Wendpap, ressaltou que a Portos trabalha fortemente nas questões que envolvem a dragagem, que dependem os portos brasileiros. “O porto, quando ele está com seus ativos funcionais e o canal de acesso com a dragagem, passa uma confiança para o mercado internacional que aquele navio pode chegar, que vai entrar. E isso é um problema no Brasil. O navio, às vezes, está programado e não consegue entrar por conta da situação de perda de calado. Nesse contexto, conseguimos atingir todas as metas que estavam colocadas, e o grande desafio nosso foi o período da cheia”, disse.
O fortalecimento da presença feminina nas energias também fez parte do evento, que é conduzido pelo Comitê Feminino do Sindienergia-RS, ressalta que importantes pautas para o setor são debatidos nesses encontros. “É para dar espaço para as mulheres e fazer eventos tanto para mulheres quanto para homens, já que a gente é uma porcentagem menor, principalmente no setor de energia. A gente consegue dar esse espaço para a gente se posicionar”, afirma.