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NOTÍCIAS 28/11/2022 10:27:14

Em raro ato de rebeldia, moradores tomam ruas de Pequim e Xangai

Em raro ato de rebeldia, moradores tomam as ruas de Pequim, Xangai e outras cidades para cobrar o fim da "política de zero covid" e a queda do Partido Comunista Chinês.

Três dias depois de um incêndio matar 10 pessoas em um prédio de Urumqi, na província de Xinjiang (noroeste), raros protestos contra o Partido Comunista Chinês e o presidente Xi Jinping foram registrados em Pequim e em Xangai e se espalharam para outras cidades, incluindo Wuhan (centro) — foco inicial da pandemia da covid-19. Aos gritos de "Queremos valores universais"; "Queremos liberdade, igualdade e democracia"; e "Xi Jinping e Partido Comunista, renunciem", centenas de pessoas se manifestaram contra a "política de zero covid" implementada pelo regime.

Os chineses culpam o rígido lockdown, imposto há quase três anos, pela tragédia em Urumqi, e acreditam que o confinamento dificultou o resgate dos moradores. Nas redes sociais, surgiram denúncias de que muitas pessoas foram impedidas de sair do complexo residencial de Urumqi e que as portas de emergência estariam bloqueadas. A cidade está sob fortes restrições anticovid-19 desde agosto passado. 

Em Pequim, cerca de 100 pessoas foram vistas, na noite de ontem, marchando em direção à Praça da Paz Celestial, palco de um massacre de estudantes pró-democracia, em 1989. "Não aos testes de covid, sim à liberdade", clamavam. Xangai, uma metrópole de 25 milhões de habitantes, assistiu a uma manifestação silenciosa, enquanto completava dois meses de lockdown que levaram a uma escassez de alimentos. Os protestos se concentraram perto da rua Wulumuqi — o nome em mandarim da cidade de Urumqi. "Xi Jinping, renuncie! Renuncie!", pediam as pessoas. 

Em várias localidades, muitos manifestantes apenas seguravam papéis e cartazes brancos, sem qualquer mensagem, como forma de expressarem sua insatisfação. Os objetos também são vistos como símbolos da censura na China. Também houve atos de rebeldia em Chengdu (sudoeste) e em Xi'an (centro). Vídeos divulgados pelas redes sociais mostravam a polícia espancando alguns manifestantes e realizando prisões, inclusive em Xangai. 

Pesquisadora da organização não governamental Human Rights Watch (China) sobre a China, Yaqiu Wang explicou ao Correio que parte da população chinesa demonstra muito nervosismo, por conta das restrições severas da "política de zero covid". "Muitos cidadãos tiveram negado o acesso aos cuidados médicos, a remédios e a outras necessidades básicas. Também estão insatisfeitos com o governo do Partido Comunista Chinês (PCC). Elas sabem que todo o controle científico e razoável da covid-19 está nas mãos da ditadura do PCC", disse. 

Yaqiu lembrou que, na China, é extremamente arriscado participar de qualquer tipo de protesto. "Manifestações com mensagens políticas são as mais perigosas. O Partido Comunista Chinês pune, de forma severa, as pessoas que exigem seus direitos, que cobram democracia ou que pedem, abertamente, o fim do regime. Por isso, esses chineses têm exibido uma coragem extraordinária", sublinhou. 

Fonte CB

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