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NOTÍCIAS 28/11/2022 09:16:18

AGRO - Frango: gripe aviária em países vizinhos acende alerta

A doença atinge, em geral, plantéis criados ao ar livre que são expostos à infecção de aves silvestres. Apenas nos Estados Unidos o vírus dizimou cerca de 40 milhões de galinhas

A epidemia de gripe aviária que já causou prejuízos em países do Hemisfério Norte nunca esteve tão perto do Brasil. Os registros da doença na Colômbia e no Peru têm colocado o País em alerta. O Ministério da Agricultura, por exemplo, alterou normas e orientações para o setor produtivo com o intuito de evitar o surto.

Além do risco sanitário e de perdas expressivas na produção, a ocorrência do vírus representa um risco comercial para a nação onde o foco da doença é identificado. No caso do Brasil, o fato de nunca ter registrado casos de influenza e ter status de zona livre tem sido apontado por representantes do setor como um diferencial competitivo para ganho de espaço no mercado mundial.

Para especialistas e analistas de mercado ouvidos pelo Broadcast Agro, mesmo com o risco elevado, as chances de se ter registro de casos no País são baixas. Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de suínos e aves Luizinho Caron, o surto nos países vizinhos ocorreu em lugares onde a produção é de "galinha de fundo de quintal", que não gera, no primeiro momento, efeitos para a cadeia produtiva em escala industrial. "Estamos atentos no Brasil para que qualquer problema sanitário seja reportado o mais rapidamente possível. Se (possíveis casos) forem identificados e contidos em fase inicial, a doença não chegará até as aves industriais e, por consequência, não causará impacto no setor", pondera.

A doença atinge, em geral, plantéis criados ao ar livre que são expostos à infecção de aves silvestres. Apenas nos Estados Unidos o vírus dizimou cerca de 40 milhões de galinhas. Outras centenas foram abatidas no continente europeu. Ambas regiões são importantes mercados produtores. Na avaliação de um empresário do setor de ovos, que pediu anonimato, o País tem condições de garantir a biossegurança, com o Ministério da Agricultura bem preparado. Entretanto, ele avalia que há "preocupação" em não saber "até que ponto" a nação tem condições para "cercar" o vírus e conter danos.

O Brasil possui rotas de aves migratórias que passam por outros países, inclusive a Colômbia, que registrou os focos da doença recentemente, relembra o chefe da Divisão de Sanidade de Aves do Ministério da Agricultura, Bruno Pessamilio. Em vídeo divulgado pela pasta, ele diz que "é fundamental" que produtores de aves estejam atentos e adotem, cada vez mais, o reforço das medidas de biosseguridade. "Mesmo sem nunca termos registrado o vírus por aqui, não (se pode) assumir uma postura de tranquilidade uma vez que (as aves) podem cruzar fronteiras de países e até continentes. Apesar de termos observado até aqui uma situação favorável, é importante continuar adotando medidas preventivas para que possamos manter esse cenário", avalia.

A diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sula Alves, reforça que o setor está "em alerta", mas a situação não traz necessidade de medidas adicionais. "Nossas preparações e ações estão sendo feitas o tempo todo, mesmo quando ele (vírus) estava mais distante. Nossa preparação não é de agora". Segundo Sula, o País "está preparado" para lidar com a situação. "Lógico que os países todos que tiveram (casos de influenza) também se entendiam preparados, mas temos (Brasil) uma blindagem cultural no nosso setor, além de capacidade técnica, com a ampliação de laboratórios que ajudam para prevenção e detecção de vírus", explica.

Questionada sobre o risco de se ter a doença por aqui, Sula diz que há uma "série de fatores" que às vezes "fogem do controle" e que por isso não dá para se fazer essa avaliação. Ela ressaltou que "tudo aquilo que é pertinente ao controle" tanto no setor privado, quanto no público, tem sido "muito bem feito". "Temos feito o dever de casa". Ela ressalta que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês) diz que apenas o registro de focos da doença não altera o status do país para efeitos de comércio internacional. "É um ponto relevante para o País, como produtor e exportador". Na última semana, a OIE também publicou um comunicado pedindo mais vigilância dos países para conter a propagação do vírus.

Segundo Pessamilio, do Ministério da Agricultura, a notificação de casos por parte de produtores deve ser "imediata" apontando que a medida possibilita "igualmente a rápida adoção de medidas sanitárias". "(Isso) evita a disseminação do vírus para outras propriedades e prejuízos ainda maiores", diz. Caron, da Embrapa, observa que em regiões do País que contam com litoral e lagoas, especialistas "estão observando" de perto, com serviços veterinários mais "atentos" a localização de surtos para responder a situação "o mais rápido possível". "Acredito no nosso sistema de defesa, que é um ótimo serviço. Tem algumas diferenças entre os Estados, mas em geral temos um excelente serviço de defesa sanitário", diz.

O analista de aves e suínos do banco Rabobank, Wagner Yanaguizawa, diz que existe "preocupação" de surto, mas que em projeções feitas pelo banco sobre o setor, tanto no curto prazo, quanto para o ano que vem, "o risco da doença não está no nosso cenário de avaliação". Yanaguizawa acredita que as medidas sanitárias adotadas também durante a pandemia elevaram a biossegurança do País. "Protocolos de isolamento, acesso às regiões produtoras, saída e entrada de produtos, entre outros, têm ajudado a controlar os riscos. Acredito que vamos continuar assim", diz. Ele pondera que o registro da influenza no País poderia elevar a oferta, mas caso, eventualmente, o vírus se espalhe, poderá se observar "efeitos mais negativos" no setor. O analista ressalta que, até o momento, o surto de gripe aviária tem trazido oportunidades, com a carne de frango do Brasil sendo mais demandada em meio a epidemia em players importantes, como Estados Unidos e países do bloco europeu.

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