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NOTÍCIAS 23/09/2022 09:43:51

A Ucrânia está ganhando a guerra contra a Rússia? A virada de Zelensky

Tropas ucranianas retomaram parte importante de seu território em uma contraofensiva surpreendente, o que fez Vladimir Putin receber críticas internas. Aliados agora avaliam se o país poderá vencer o conflito

Acuada durante seis meses pela invasão russa, a Ucrânia conseguiu realizar uma contraofensiva espetacular, para mudar o curso da guerra. Aproveitou brechas e retomou parte da região nordeste do país numa guerra-relâmpago. Foi uma vitória comemorada pelos ucranianos e — fato raro — reconhecida pelos próprios invasores. O governo de Volodymyr Zelensky anunciou um total de 6.000 km2 reconquistados no sábado, 10, quando foram divulgadas imagens de civis ucranianos cruzando tanques abandonados pelos soldados em fuga em meio a escombros, como na cidade de Izium. O Kremlin respondeu atacando a infraestrutura de energia local. Na segunda-feira, 12, recomeçaram ataques, por meio de mísseis, a cidades importantes como Kupianski e Karkhiv, que sofrem com blecautes e cortes de água. A questão que se coloca é: os ucranianos poderão vencer o conflito?

GABINETE FECHADO Vladimir Putin não se manifestou quanto a suas tropas terem sido surpreendidas, o que rendeu críticas até de aliados (Crédito:Mikhail Klimentyev)

Carlos Eduardo Valle Rosa, coronel da reserva e professor doutor da UNIFA (Universidade da Força Aérea), lembra que a “guerra paralela de informação nunca esteve tão ativa, pela facilidade de difusão por redes sociais e sua capacidade de impacto”. Diz que a questão central para os analistas está na credibilidade de fontes. Por isso, uma resposta sobre o curso da guerra só pode ser expressa em possibilidades, que incluem mesmo a negociação de paz, por exaustão de forças sob vários aspectos. “O que se tem como certo são as perdas financeiras e humanitárias”, afirma.

No dia 10, os ucranianos anunciaram a retomada de territórios vizinhos à área industrial da região de Donbass, com suas tropas sendo surpreendidas. Vladimir Putin e os militares russos passaram a receber críticas importantes de sua própria trincheira: Igor Girkin, que servia à FSB (ex-KGB) em 2014, na anexação da Crimeia, chamou Serguei Shoigu, o ministro da Defesa de Putin, de “marechal de papel”, e Vladimir Solovyov, ativista pró-Rússia, colocou em xeque as táticas usadas pelos chefes militares de seu país. Analistas britânicos informaram que Roman Berdnikov, comandante das tropas russas na Ucrânia, havia sido tirado do cargo. Não foi divulgada qualquer nota oficial do Kremlin. O momento foi especialmente delicado para o presidente russo. Ele havia passado o dia em visita a centros de artes marciais, comemorando a festa de fundação da capital russa e se preparando para o importante encontro com o líder chinês Xi Jinping, no Uzbequistão.

RECONQUISTA Ucranianos comemoraram a entrada em região anteriormente ocupada pelos russos: desafio será manter o controle (Crédito: @kuptg)

Conflitos vêm de 2014

A situação de Putin é delicada, porque precisa manter a aparência de normalidade para não despertar oposição a seu governo. O professor Valle Rosa destaca que é difícil saber exatamente o objetivo político do presidente: “Ele quer destruir a Ucrânia? Houve uma retirada estratégica? Aguarda o inverno na Europa? Quer um corredor terrestre do Cáucaso para a Crimeia e o porto de Sebastopol? Ou se contrapõe à OTAN por uma crise de prestígio? São possibilidades. A Ucrânia está revertendo a situação? Não necessariamente”. O coronel menciona a frase “A guerra é o reino da incerteza” (atribuída ao militar prussiano Carl von Clausewitz) para falar dos conflitos que começaram em 2014 e apenas foram interrompidos até esta guerra: “A comunidade internacional não reconheceu a Crimeia como parte da Rússia, nem a Ucrânia agiu militarmente para retomar o território. Ficou por ali. E agora acontece o mesmo em Donbass”.

Dos possíveis desdobramentos, o coronel enumera quatro: “O primeiro, que acredito improvável, é a deposição de Putin, em uma espécie de Primavera Árabe. O segundo seria uma ação militar e coordenada da OTAN contra a Rússia, também improvável pela ameaça nuclear. Um terceiro, seriam cidades tomadas e retomadas até cessarem as batalhas e a situação seguir mal resolvida, com os russos ficando com o leste, além da Crimeia. Por último, e mais provável, é que se conclua que é melhor negociar politicamente por causa das baixas, do esgotamento de forças, do inverno e do embargo”.

Um aspecto importante para avaliar o destino do conflito é que ele envolve outros países e interesses globais. A Alemanha, por exemplo, foi mais prejudicada pelo corte do gás russo. A França, às voltas com a crise energética, quer voltar a atuar como mediadora. Na Itália e no Reino Unido, a unidade europeia contra Putin será posta à prova pelos novos governos. É necessário levar em conta os aspectos econômicos, diplomáticos e mesmo populares. “Todos esses atores podem, potencialmente, interferir nesse complexo geopolítico”, observa Valle Rosa.

Fonte Istoé

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